domingo, 12 de dezembro de 2010

 
 
Sei que em algum lugar
O amor deve preencher o ar
Com doçura tão rara
Como da flor
Que você me deu para usar
 
I'll Look Around - Madeleine Peyroux

Apenas uma vontade incontrolável de escrever..

    


     Vontade de dizer, mesmo que não tenha realmente o que dizer, vontade de colocar coisas de anos atrás, apenas pra poder desabafar, pra escrever até acabar com todas as letras do teclado, até acabar com essa ânsia que me consome, que contraria o mundo inteiro que vive a dizer que eu sou feliz.. Até os passarinhos na janela me incomodam de manhã.. Eu sou realmente feliz?
     E o que é ser feliz pra você? Todas as pessoas querem suas vidas simples, dizem a si mesmas que suas vidas são simples. Nada é simples. O passado te persegue, o futuro te assusta e que você acredite no que quiser pra ficar vivo, mas um dia a verdade te encara e te pôe a par da real mano!
     E num é o capitalismo que é cruel ou o socialismo que é impossível, ou o anarquismo que não existe de fato. Tudo isso é tudo aquilo ou o que for. Dane-se o mundo, eu não consigo resolver nem a mim mesma! E sim, a minha manhã foi difícil e essa música de Madeleine Peyroux não ajuda. Mas eu tampouco vou tirar, e sabe por que?
     Porque todo mundo precisa de um dia de cão, ou de uma manhã de cão! Todo mundo precisa lembrar do chiqueiro emocional que saiu e onde chegou. E o meu é sujo como poucos! Não importa se hoje eu tenho tudo para ser feliz, se o amor é um presente pra eu me encontrar. Ainda não consigo olhar pra trás, há coisas que não posso ser, palavras que não posso dizer, coisas que não posso viver.  E todos precisamos lembrar disso. Não importa o seu sorriso para todos, suas risadas exageradas, estridentes; Quando você se encontra sozinho, com um copo ou de TPM, mas coisas voltam, elas sempre voltam.. E estão ali, te encarando, te prendendo.. 
     E o que você faz pra seguir em frente? Você diz que não valeu a pena, ou que a vida vai cuidar de curar. A vida não cura nada. O tempo não cura nada. Você cura. Você tem que pegar a sua vida e dizer que está se lixando pro que te aconteceu antes, que hoje você pode ser algo melhor e que está lutando todos os dias pra fazer com que isso seja verdade. Mas o que você faz se (quando pára um tempo depois de tanto cansaço, de tanto correr atrás das coisas que acha que precisa pra apagar todo o passado da sua vida que lhe fez mal) você se dá conta de que não sabe se vai ser assim e corre pra desabafar em algum lugar, como num blog.. O que você faz? O que eu faço? Seguir em frente é mesmo a resposta? Quem sabe um dia a gente saiba, certo? Quem sabe um dia essa gana de escrever pra esvaziar o que tem dentro cesse, ao menos pelos motivos de agora.. Quem sabe venham outros motivos, algo novo pra variar, All fresh, all new.. Who knows, who knows..

P.S.: Enquanto escrevia esse texto, ironicamente, alguns trechos não obedeceram de forma alguma a formatação.. Quem sabe a razão não é mesmo??




Beba, baby
Olhe para as estrelas.
E eu vou te beijar de novo

Between The Bars - Madeleine Peyroux


Você está perdida, garotinha
Você está perdida, garotinha
Você está perdida

Me diga, quem é você?
Quem é você

You're Lost Little Girl - The Doors


 
O céu pode esperar 
e o inferno é longe demais para ir
Algum lugar entre o que você precisa 
e o que você sabe

Heaven Can Wait - Charlotte Gainsbourg

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010



E minha cabeça está numa nuvem de chuva, 
e o mundo ele parece tão distante 
E eu estou apenas 
te esperando para cair 
e me afogar em sua pele
Você é como as gotas de chuva, 
as gotas de chuva caindo em mim..

Droplets - Colbie Caillat

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010



Eu te pedi demais? Mais do que devia?

Você não me deu nada e isso agora é tudo o que tive
Nós somos um, mas não somos iguais
Bem, nós ferimos um ao outro e estamos fazendo de novo

Você diz
Que o amor é um templo, que o amor é a lei maior
Que o amor é um templo, que o amor é a lei maior
Você me pede para entrar, mas depois você me faz rastejar
Não posso me agarrar ao que você tem
Quando tudo que você tem é dor

One - U2



Os dias estranhos nos encontraram
E por suas horas estranhas
Ficamos sozinhos à espera

Corpos se confundem, memórias são mal usadas
Enquanto trocamos o dia
Pela estranha noite de pedra

Strange Days - The Doors

Foto: Christina Aguilera



Sou sua.. O que você quiser, eu sou.

Foto: Christina Aguilera

segunda-feira, 22 de novembro de 2010



E eu não sei porque continuo a tentar fazer o papel de mocinha  nesta história. Somos todos vilões, todos bandidos. Somos a personificação do "bad guy". Por isso, de nada adianta procurar culpados se, justamente nessa hora, nunca olhamos o próprio umbigo! Somos nós o nosso próprio algóz. O mundo continua a ser o que é: o mundo! Mas nós teríamos muito mais chances se entendéssemos que não somos as vítimas. O mundo é a vítima. Nós somos tão somente sujos e poluídos quanto o mal que nos aflige. Somos todos errados. O certo não mais existe. E se hoje estás assim, é porque cavaste fundo a tua sepultura. Aceite isso! E o que eu quis dizer com tudo isso? Pare de culpar o mundo, encontre seus erros e conserte-os você mesmo. Se é que um dia seremos capazes de assumir culpa, de coração, por tudo o que nos acontece.


Foto: Leighton Meester

E eu insisto em ser menina


     Um dia me disseram que eu seria mulher.. Tive tanto medo de que esse dia chegasse que fui me cercando de todos os cuidados para que nunca chegasse de fato. E, assim, me fiz criança, me fiz menina, me fiz cor de rosa, misturei com azul e criei um clima pastel de quarto infantil.
      E eu brinquei de bonecas, mesmo quando tive o primeiro amor. Não que eu tivesse consciência de que era o meu primeiro amor. Mas aprendi que o primeiro amor não é amor, é quando você descobre como é bom gostar de alguém. Mas eu gostava mesmo era das minhas bonecas.
      E não, eu não era nem um pouco madura, mas usava saltos, vestidos, e usava minhas perninhas para rebolar por aí. Namorado? Não, isso seria crescer, e crescer assustava. Eu tinha mesmo era uns paquerinhas que mais pareciam trechos dos discursos de Platão. E tudo deveria ser assim mesmo.
      Sendo o mais sincera que posso, nada me impediu de amadurecer e a vida me pegou na infância mesmo. Deu-me uma rasteira por cima da outra. Eu fui testada como poucos adultos. Mas insistia em ser uma menina.
     Na verdade, eu sobrevivi a tudo, como poucos adultos podem dizer que sobreviveram, e eu ainda era menina, e tudo ao meu redor tentava gritar isso, eu tentava gritar isso o tempo inteiro e repetia para mim mesma como um mantra em eco. Mas eu não era mais menina, mas insistia em ser uma menina.
      E vieram novas pessoas, veio o amor, veio a dor, vieram as boas amizades, as más também, mas que bom que as boas ficaram, o mau amor foi com a dor, mas deixou maturidade para escolher o bom amor. A maturidade também ajudou a recuperar os bons amigos que o processo de cura me fez perder. Eu perdi muito de mim, mas ganhei muito mais. Mas eu insisto em ser uma menina.
     E não, não mais aquela menina que tem medo de virar mulher, mas uma menina diferente. Uma menina que cresceu e sabe que isso vai acontecer um dia, mas que não tem mais medo. Uma menina que é feliz, que soube sofrer e soube aprender. Uma menina que tem os melhores amigos, o amor mais amor e que sabe que, tudo o mais que vier, vai vir pro bem, vai trazer o melhor e que, se não for, vai ser apenas fase, para um dia se transformar em uma grande mulher. Porque as grandes mulheres passam por grandes provações e são justamente essas as pessoas mais felizes.
     Um dia me disseram que eu seria uma mulher.. E só hoje vejo como fui boba em ter medo. Não sei se já posso achar que sou uma mulher de verdade, mas uma coisa eu aprendi: Nunca vou deixar de ser uma menina cheia de brilho no olhar. E sim, eu insisto!!